Friday, October 23, 2009
A MATEMÁTICA ALVINEGRA
(Thales)
Entendo que, para ser campeão, o Atlético TEM que fazer os 12 pontos que lhe restam em casa: Vitória, Flamengo, Inter e Corinthians.
E dos quatro que restam fora, Flu, Goiás, Coritiba e Palmeiras, deve vencer um e empatar pelo menos três para atingir 68 pontos. Pode até perder algum, desde que não seja o Palmeiras, e compense a derrota com três pontos em outro jogo.
Embora complicada, a situação alvinegra é menos feia do que parece. Caso o Flu (sem Conca) seja derrotado pelo Goiás e o Botafogo não perca para o Flamengo, o tricolor jogará na próxima quinta-feira virtualmente rebaixado. Por duas vezes na Sulamericana o Goiás foi incapaz de derrotar os reservas do Atlético, ou seja, o empate é um resultado bastante razoável. O Coritiba deve entrar em campo praticamente livre da ameaça do rebaixamento e sem pretensões na competição. Resta o Palmeiras, verdadeira decisão de campeonato.
Resumo da ópera, desde que o Galo faça o dever de casa, as possibilidades de ficar com o título são grandes. Se fizer 12 pontos em casa precisará fazer 6 fora, em 12 disputados, aproveitamento de 50%; hoje esse aproveitamento é de 46%.
Por fim, um levantamento que eu fiz sobre quantos pontos o Atlético ganhou em confrontos diretos contra as equipes com as quais já jogou duas vezes no campeonato.
Atlético PR – 6 pontos
Avaí – 2 pontos
Barueri – 3 pontos
Botafogo – 1 ponto
Cruzeiro – 3 pontos
Grêmio – 3 pontos
Náutico – 4 pontos
Santo André – 4 pontos
Santos – 6 pontos
São Paulo – 6 pontos
Sport – 4 pontos
Pra não dizer que não falei das flores. Acredito que o Cruzeiro tenha três jogos fundamentais, Corinthians (fora), Grêmio (casa) e Sport (fora). Caso some seis pontos nesses 9 é muito provável que vá a Libertadores, do contrário não acredito na classificação.
(Thales)
Entendo que, para ser campeão, o Atlético TEM que fazer os 12 pontos que lhe restam em casa: Vitória, Flamengo, Inter e Corinthians.
E dos quatro que restam fora, Flu, Goiás, Coritiba e Palmeiras, deve vencer um e empatar pelo menos três para atingir 68 pontos. Pode até perder algum, desde que não seja o Palmeiras, e compense a derrota com três pontos em outro jogo.
Embora complicada, a situação alvinegra é menos feia do que parece. Caso o Flu (sem Conca) seja derrotado pelo Goiás e o Botafogo não perca para o Flamengo, o tricolor jogará na próxima quinta-feira virtualmente rebaixado. Por duas vezes na Sulamericana o Goiás foi incapaz de derrotar os reservas do Atlético, ou seja, o empate é um resultado bastante razoável. O Coritiba deve entrar em campo praticamente livre da ameaça do rebaixamento e sem pretensões na competição. Resta o Palmeiras, verdadeira decisão de campeonato.
Resumo da ópera, desde que o Galo faça o dever de casa, as possibilidades de ficar com o título são grandes. Se fizer 12 pontos em casa precisará fazer 6 fora, em 12 disputados, aproveitamento de 50%; hoje esse aproveitamento é de 46%.
Por fim, um levantamento que eu fiz sobre quantos pontos o Atlético ganhou em confrontos diretos contra as equipes com as quais já jogou duas vezes no campeonato.
Atlético PR – 6 pontos
Avaí – 2 pontos
Barueri – 3 pontos
Botafogo – 1 ponto
Cruzeiro – 3 pontos
Grêmio – 3 pontos
Náutico – 4 pontos
Santo André – 4 pontos
Santos – 6 pontos
São Paulo – 6 pontos
Sport – 4 pontos
Pra não dizer que não falei das flores. Acredito que o Cruzeiro tenha três jogos fundamentais, Corinthians (fora), Grêmio (casa) e Sport (fora). Caso some seis pontos nesses 9 é muito provável que vá a Libertadores, do contrário não acredito na classificação.
Thursday, September 17, 2009
ESCOLHENDO O BOM COMBATE
Thales
Lembro-me como se fosse hoje da eliminação alvinegra da Copa do Brasil deste ano. José Augusto (doravante Zé do Galo) saiu cabisbaixo do Mineirão, praguejando contra a má sorte nas penalidades. Verdade que o Atlético fez uma boa partida e poderia até ter vencido por um placar mais elástico que os 3x0. Mas era de suma importância que fosse eliminado ali. Só assim o time teria tempo para fazer uma intertemporada, que possibilitaria ao recém chegado Celso Roth colocar uma equipe minimamente razoável em campo para o início do Brasileirão. E sendo bastante realista, o Atlético não tinha time para disputar o título com Inter ou Corinthians.
Ontem, uma nova eliminação nos pênaltis. Não conversei com o Zé do Galo, mas estou certo de que ele estava aborrecido com o resultado. Ele acredita que se o time entrou na competição, que o faça almejando o título.
Discordo radicalmente, mais uma vez fiquei feliz com a eliminação. Havendo a possibilidade de se conquistar uma vaga para a Libertadores, todos os esforços e recursos devem ser direcionados para esse propósito. Alguém argumentará que a Sulamericana não prejudicaria o desempenho no Brasileiro, uma vez que somente reservas e júniors foram inscritos. Não é bem assim. Imagine, por exemplo, um jogo quarta à noite na Colômbia, os relacionados viajariam segunda à noite, ou seja, muito provavelmente não teríamos coletivo segunda, terça, quarta e nem quinta, ou haveria coletivos meia-boca contra o juvenil, sem a presença da comissão técnica em dois desses dias. Embora esses jogadores não sejam aproveitados no brasileiro, o trabalho do time titular seria comprometido, aliás, diga-se de passagem, time que ainda precisa trabalhar muito se quiser fazer os 24 pontos necessários para alcançar o objetivo.
De resto, não vejo nenhuma diferença entre a Sulamerica e as duas Comenbols que descansam na sala de troféus. Títulos que a própria torcida não valoriza muito. Naturalmente que haveria festejos e desfile para os campeões, mas seria um título que não aplacaria a necessidade da torcida por algo melhor. Assim sendo, parabenizo a comissão técnica por, pelo menos dessa vez, ter sabido escolher o bom combate.
Thales
Lembro-me como se fosse hoje da eliminação alvinegra da Copa do Brasil deste ano. José Augusto (doravante Zé do Galo) saiu cabisbaixo do Mineirão, praguejando contra a má sorte nas penalidades. Verdade que o Atlético fez uma boa partida e poderia até ter vencido por um placar mais elástico que os 3x0. Mas era de suma importância que fosse eliminado ali. Só assim o time teria tempo para fazer uma intertemporada, que possibilitaria ao recém chegado Celso Roth colocar uma equipe minimamente razoável em campo para o início do Brasileirão. E sendo bastante realista, o Atlético não tinha time para disputar o título com Inter ou Corinthians.
Ontem, uma nova eliminação nos pênaltis. Não conversei com o Zé do Galo, mas estou certo de que ele estava aborrecido com o resultado. Ele acredita que se o time entrou na competição, que o faça almejando o título.
Discordo radicalmente, mais uma vez fiquei feliz com a eliminação. Havendo a possibilidade de se conquistar uma vaga para a Libertadores, todos os esforços e recursos devem ser direcionados para esse propósito. Alguém argumentará que a Sulamericana não prejudicaria o desempenho no Brasileiro, uma vez que somente reservas e júniors foram inscritos. Não é bem assim. Imagine, por exemplo, um jogo quarta à noite na Colômbia, os relacionados viajariam segunda à noite, ou seja, muito provavelmente não teríamos coletivo segunda, terça, quarta e nem quinta, ou haveria coletivos meia-boca contra o juvenil, sem a presença da comissão técnica em dois desses dias. Embora esses jogadores não sejam aproveitados no brasileiro, o trabalho do time titular seria comprometido, aliás, diga-se de passagem, time que ainda precisa trabalhar muito se quiser fazer os 24 pontos necessários para alcançar o objetivo.
De resto, não vejo nenhuma diferença entre a Sulamerica e as duas Comenbols que descansam na sala de troféus. Títulos que a própria torcida não valoriza muito. Naturalmente que haveria festejos e desfile para os campeões, mas seria um título que não aplacaria a necessidade da torcida por algo melhor. Assim sendo, parabenizo a comissão técnica por, pelo menos dessa vez, ter sabido escolher o bom combate.
Monday, August 17, 2009
ESTAMOS NA SÉRIE B
Lessa
Num jogo épico, o América venceu por 3x1 o Brasil de Pelotas no Independência e voltou à Série B, seu lugar de fato e de direito no contexto futebolístico nacional.
Clássicos fora, a partida teve o maior público em jogos do time desde 97, quando treze mil pagantes viram o América ascender à primeira divisão jogando contra o Villa Nova de Goiás. Sob qualquer perspectiva, foi um espetáculo emocionante.
O principal articulador americano, Luciano, foi o responsável pelo primeiro gol do jogo. Calando a boca de seus críticos, que o acusam de um irritante exibicionismo técnico, o camisa 8 dominou chute equivocado de um companheiro e driblou o goleiro à maneira dos grandes craques. Foi seu primeiro gol na Série C e certamente o mais importante de sua carreira.
Ao final de 45 minutos, o América vencia por um justo placar de 1x0, que poderia ter sido ampliado não fossem duas excelentes intervenções do goleiro adversário.
A coisa quase se complicou quando, aos 3 minutos do segundo tempo, o time de Pelotas empatou o jogo num lance absolutamente fortuito. O 1x1 eliminava o América e, por quinze longos minutos, a torcida emudeceu, temendo o pesadelo.
Eu estava fazendo as vezes de cão de guarda do banco do América e, quando um bêbado esboçou uma reclamação com o glorioso técnico Givanildo, expulsei-o dali com a ajuda de um cara mais fanático que eu.
Aos 26, num cruzamento de Irênio, Leandro cabeceou para as redes restabelecendo a esperança – que no caso americano é sempre a primeira que morre.
Aos 28, Bruno Mineiro recebeu na área, deu uma gaúcha no gaúcho, tirou mais um zagueiro e completou a pintura batendo pro gol na saída do goleiro. 3x1. Fechado o caixão do Brasil, minha voz começava a acabar.
Com o acesso, teremos de cara 7 milhões de aporte financeiro só em dividendos televisivos. A CBF também paga transporte e hospedagem dos clubes visitantes na Série B. Ou seja, o Coelhão terá a chance de estruturar um time muito mais competitivo e, como tem uma boa categoria de base, estará em plenas condições de se manter na segunda divisão por algum tempo.
Quero destacar, para finalizar, a atuação de um jogador que a torcida teima em subestimar. O zagueiro Micão foi mais uma vez o melhor do jogo e, na minha opinião, o melhor jogador do campeonato. Restam poucas dúvidas de que ele não só é melhor do que Welton Felipe como é, também, o melhor zagueiro em atividade nos relvados mineiros.
Micão fez com que o América tivesse a melhor defesa do campeonato mineiro e da Série C. E por isso, é meu jogador predileto neste time.
Givanildo, obrigado. Micão, obrigado. Salum, obrigado.
A nação americana pode se orgulhar genuinamente de seu time.
Lessa
Num jogo épico, o América venceu por 3x1 o Brasil de Pelotas no Independência e voltou à Série B, seu lugar de fato e de direito no contexto futebolístico nacional.
Clássicos fora, a partida teve o maior público em jogos do time desde 97, quando treze mil pagantes viram o América ascender à primeira divisão jogando contra o Villa Nova de Goiás. Sob qualquer perspectiva, foi um espetáculo emocionante.
O principal articulador americano, Luciano, foi o responsável pelo primeiro gol do jogo. Calando a boca de seus críticos, que o acusam de um irritante exibicionismo técnico, o camisa 8 dominou chute equivocado de um companheiro e driblou o goleiro à maneira dos grandes craques. Foi seu primeiro gol na Série C e certamente o mais importante de sua carreira.
Ao final de 45 minutos, o América vencia por um justo placar de 1x0, que poderia ter sido ampliado não fossem duas excelentes intervenções do goleiro adversário.
A coisa quase se complicou quando, aos 3 minutos do segundo tempo, o time de Pelotas empatou o jogo num lance absolutamente fortuito. O 1x1 eliminava o América e, por quinze longos minutos, a torcida emudeceu, temendo o pesadelo.
Eu estava fazendo as vezes de cão de guarda do banco do América e, quando um bêbado esboçou uma reclamação com o glorioso técnico Givanildo, expulsei-o dali com a ajuda de um cara mais fanático que eu.
Aos 26, num cruzamento de Irênio, Leandro cabeceou para as redes restabelecendo a esperança – que no caso americano é sempre a primeira que morre.
Aos 28, Bruno Mineiro recebeu na área, deu uma gaúcha no gaúcho, tirou mais um zagueiro e completou a pintura batendo pro gol na saída do goleiro. 3x1. Fechado o caixão do Brasil, minha voz começava a acabar.
Com o acesso, teremos de cara 7 milhões de aporte financeiro só em dividendos televisivos. A CBF também paga transporte e hospedagem dos clubes visitantes na Série B. Ou seja, o Coelhão terá a chance de estruturar um time muito mais competitivo e, como tem uma boa categoria de base, estará em plenas condições de se manter na segunda divisão por algum tempo.
Quero destacar, para finalizar, a atuação de um jogador que a torcida teima em subestimar. O zagueiro Micão foi mais uma vez o melhor do jogo e, na minha opinião, o melhor jogador do campeonato. Restam poucas dúvidas de que ele não só é melhor do que Welton Felipe como é, também, o melhor zagueiro em atividade nos relvados mineiros.
Micão fez com que o América tivesse a melhor defesa do campeonato mineiro e da Série C. E por isso, é meu jogador predileto neste time.
Givanildo, obrigado. Micão, obrigado. Salum, obrigado.
A nação americana pode se orgulhar genuinamente de seu time.
Friday, July 17, 2009
CHORA, NÃO VOU LIGAR
Thales
A soberba foi castigada. Não adianta os cruzeirenses, torcedores E jogadores, virem dizer que sabiam que o jogo seria duro e que respeitavam o Estudiantes. Billy chegou a me confidenciar no dia da final que as horas não passavam, que ele estava tenso, o corrijo, não era tensão, era ansiedade pra gritar "tricampeão". O cruzeirense temia um jogo difícil, mas não a perda do título, este já era dado como certo, e quem for postar um comentário contrário, que examine bem seu coração antes de responder.
Sobre o jogo, falei horas antes, com o Billy e o chorão do Renato, se não fizerem homem a homem no Verón o caldo vai engrossar. Não deu outra.
Verón é um capítulo a parte nessa final. Começou a ganhar o jogo na cotovelada em Ramires, ainda nos primeiros minutos. Com um simples gesto o maestro de La Plata já mandava um recado, não apenas a Ramires, mas a todos os presentes, tudo será cobrado e descontado. Logo depois, numa confusão, mais um safanão em Ramires, que perdeu a calma a ponto de tentar chutar um argentino no bolinho que se formara. A partir daquele momento Verón se tornou dono e senhor da partida, jogava bola quando bem entendia e tumultuava quando o Cruzeiro queria jogar. Cadenciou o toque de bola, deu ritmo ao time, e, sobretudo, fez com que seus companheiros vissem em seu capitão alguém capaz de conduzi-los à vitória. A mágica de Verón não se deu apenas numa enfiada de bola e numa cobrança de escanteio, foi um espetáculo de sutilezas e uma lição de vida, de um homem que havia feito uma promessa a seu pai, de alguém que recusara $27 milhões de um sheik árabe para realizar seu sonho, viver aquele momento e levantar a taça por seu clube de coração. A frase é do mestre Armando Nogueira, "Deus castiga quem o craque fustiga", e Verón foi fustigado, torcedores cruzeirenses foram ao aeroporto receber o craque com gritos de "Sorín!Sorín!Sorín!" (desafeto de Verón na seleção), em casa eu pensava comigo, "isso mesmo, mexam com os brios do homem".
Dizem que, na chegada do Estudiantes ao estádio, os jogadores batiam no teto do ônibus, nas janelas e cantavam junto com os torcedores que os cercavam, espírito de guerra. A chegada do Cruzeiro eu acompanhei pela tv, milhares cantando e incentivando o time, enquanto Kléber, em close no Sportv, tinha uma expressão de quem acompanhava uma boiada passar.
Da parte do Cruzeiro faltou um homem experiente em campo, alguém pra fazer a bola correr, evitar a catimba e chamar o time pro jogo. No elenco, os jogadores com tais perfis eram temerários, Andersson (elo mais fraco), Fabrício (futebol duvidoso desde a contusão) e Fabinho (recém chegado, não se podia jogar a liderança no colo dele). E, mais uma vez, o excesso de soberba, Adílson não quis fazer uma marcação individual em Verón, achou que apenas o esquema defensivo bem encaixado resolveria, achou que Verón não valia a anulação de Paraná ou Ramires, sendo que, tecnicamente, nenhum dos dois joga metade da bola de Verón. Prova que Adílson não aprendeu rigorosamente nada com eliminação para o Boca ano passado. Idioticamente pensa-se, no Brasil, que a marcação homem a homem serve pra um brucutu dar pontapé no craque e tentar roubar todas as bolas, não é por aí, ela serve para que o sujeito receba menos bolas e tenha menos tempo para pensar as jogadas, o intuito não é parar o adversário a todo custo, mas fazer com que ele seja obrigado a fugir de suas características naturais.
Fiquei feliz por Verón, mas, honestamente, mais feliz ainda pelo fracasso do Cruzeiro. Os deuses do futebol deviam um Maracanazzo ao time da Toca, achou gol em finais depois dos 45' mais de uma vez, sempre uma bola espirrada, um lance inusitado, e, dessa vez, o script parecia se repetir, mas os deuses do futebol guardaram o melhor para o fim. O Galo teve o seu em 1977, numa decisão por pênaltis contra o São Paulo, diante de 103 mil pagantes. Portanto, chora, não vou ligar, chegou a hora, vais me pagar.
Thales
A soberba foi castigada. Não adianta os cruzeirenses, torcedores E jogadores, virem dizer que sabiam que o jogo seria duro e que respeitavam o Estudiantes. Billy chegou a me confidenciar no dia da final que as horas não passavam, que ele estava tenso, o corrijo, não era tensão, era ansiedade pra gritar "tricampeão". O cruzeirense temia um jogo difícil, mas não a perda do título, este já era dado como certo, e quem for postar um comentário contrário, que examine bem seu coração antes de responder.
Sobre o jogo, falei horas antes, com o Billy e o chorão do Renato, se não fizerem homem a homem no Verón o caldo vai engrossar. Não deu outra.
Verón é um capítulo a parte nessa final. Começou a ganhar o jogo na cotovelada em Ramires, ainda nos primeiros minutos. Com um simples gesto o maestro de La Plata já mandava um recado, não apenas a Ramires, mas a todos os presentes, tudo será cobrado e descontado. Logo depois, numa confusão, mais um safanão em Ramires, que perdeu a calma a ponto de tentar chutar um argentino no bolinho que se formara. A partir daquele momento Verón se tornou dono e senhor da partida, jogava bola quando bem entendia e tumultuava quando o Cruzeiro queria jogar. Cadenciou o toque de bola, deu ritmo ao time, e, sobretudo, fez com que seus companheiros vissem em seu capitão alguém capaz de conduzi-los à vitória. A mágica de Verón não se deu apenas numa enfiada de bola e numa cobrança de escanteio, foi um espetáculo de sutilezas e uma lição de vida, de um homem que havia feito uma promessa a seu pai, de alguém que recusara $27 milhões de um sheik árabe para realizar seu sonho, viver aquele momento e levantar a taça por seu clube de coração. A frase é do mestre Armando Nogueira, "Deus castiga quem o craque fustiga", e Verón foi fustigado, torcedores cruzeirenses foram ao aeroporto receber o craque com gritos de "Sorín!Sorín!Sorín!" (desafeto de Verón na seleção), em casa eu pensava comigo, "isso mesmo, mexam com os brios do homem".
Dizem que, na chegada do Estudiantes ao estádio, os jogadores batiam no teto do ônibus, nas janelas e cantavam junto com os torcedores que os cercavam, espírito de guerra. A chegada do Cruzeiro eu acompanhei pela tv, milhares cantando e incentivando o time, enquanto Kléber, em close no Sportv, tinha uma expressão de quem acompanhava uma boiada passar.
Da parte do Cruzeiro faltou um homem experiente em campo, alguém pra fazer a bola correr, evitar a catimba e chamar o time pro jogo. No elenco, os jogadores com tais perfis eram temerários, Andersson (elo mais fraco), Fabrício (futebol duvidoso desde a contusão) e Fabinho (recém chegado, não se podia jogar a liderança no colo dele). E, mais uma vez, o excesso de soberba, Adílson não quis fazer uma marcação individual em Verón, achou que apenas o esquema defensivo bem encaixado resolveria, achou que Verón não valia a anulação de Paraná ou Ramires, sendo que, tecnicamente, nenhum dos dois joga metade da bola de Verón. Prova que Adílson não aprendeu rigorosamente nada com eliminação para o Boca ano passado. Idioticamente pensa-se, no Brasil, que a marcação homem a homem serve pra um brucutu dar pontapé no craque e tentar roubar todas as bolas, não é por aí, ela serve para que o sujeito receba menos bolas e tenha menos tempo para pensar as jogadas, o intuito não é parar o adversário a todo custo, mas fazer com que ele seja obrigado a fugir de suas características naturais.
Fiquei feliz por Verón, mas, honestamente, mais feliz ainda pelo fracasso do Cruzeiro. Os deuses do futebol deviam um Maracanazzo ao time da Toca, achou gol em finais depois dos 45' mais de uma vez, sempre uma bola espirrada, um lance inusitado, e, dessa vez, o script parecia se repetir, mas os deuses do futebol guardaram o melhor para o fim. O Galo teve o seu em 1977, numa decisão por pênaltis contra o São Paulo, diante de 103 mil pagantes. Portanto, chora, não vou ligar, chegou a hora, vais me pagar.
Thursday, July 16, 2009
TORTAS LINHAS
Billy
Poderia – mas não vou- sumir daqui por uns dias.
É uma decepção igual ou maior que a eliminação para o Galo no Brasileirão de 99.
Renato, vi seu comentário e dói demais mesmo e ainda vai doer por muito tempo. Esquecer nunca, mas quero acreditar que a dor um dia passa. Tomara.
Longe de aderir à previsível caça às bruxas ou ao tradicional “procura-se um culpado”, melhor tentar juntar os cacos do que restou do time e salvar o semestre com uma nova classificação pra Libertadores. Recompor as mágoas do futebol com o próprio futebol. Assim é a vida assim é o futebol. Domingo, estou de volta ao Mineirão, não tenham dúvidas.
E reitero o que venho defendendo há tempos: o Cruzeiro tem um time muito competitivo e pronto pra brigar por títulos. Mudar o comando é começar do zero e desprezar dois anos de muito bom desempenho. E duvido muito que o Cruzeiro venha a bancar um Muricy Ramalho. Qualquer outro treinador é mudar pra pior.
Quanto à foto acima: pelo menos alguém ficou legitimamente feliz ontem à noite. Aos vencedores, o cumprimento do vencido.
Tuesday, July 14, 2009
Para esquentar!!! Na Taça da foto, que é a original, o Cruzeiro só tem duas plaquinhas. Será que colocamos mais uma?
Friday, July 03, 2009
12 anos depois e 12 vezes melhor
Billy
Vejam vocês o que é o futebol.
O "mestre" Paulo Autuori, sempre lembrado como um bom treinador (o que questiono veementemente), se despediu da Libertadores sem uma vitória sequer. E mesmo assim vai manter a pose canastrona e a boa conta com a mídia. Presumo.
Enquanto isso, nosso comandante, Adilson Batista luta para ser respeitado pela própria torcida e é objeto de desconfiança a cada substituição (vencendo ou não o jogo), a despeito das boas campanhas que o Cruzeiro vem fazendo ao longo dos quase dois anos em que está na Toca. Foi por causa de uma dessas boas campanhas, a do Brasileiro de 2008, que hoje o Cruzeiro está qualificado para decidir o título continental.
Dou a cara a tapa se alguém não questionou a escalação do Wellington Paulista, invocando o bordão burro burro. E o sujeito mete logo dois gols no primeiro tempo. A calhar, lembro que Tiago Ribeiro marcou apenas um solitário gol, desde que chegou ao clube, salvo melhor juízo.
Burrice, genialidade, sorte?
Ainda no ritmo do "vejam vocês o que é o futebol". Uma comparação entre os times do Cruzeiro de 1997 e de 2009, e também da campanha até a final nas duas edições é covardia. Não há outra palavra. E pode ser que o time de 2009 não seja campeão.
Imagino que vão dizer que o Grêmio foi "operado" por causa de um penalti não marcado no primeiro tempo. Ou que poderia ter matado o jogo no Mineirão se os "craques" Alex Mineiro e Maxi Lopez marcassem os gols feitos que perderam. O mesmo foi dito em relação ao São Paulo, que foi roubado em pleno Morumbi.
Só lamento. Lamento não. Só dou risada.
Ganhar o título ou não é um outro problema, a mim parece que o trabalho já se mostra muito bem feito e digno de ser elogiado. Não só do treinador (que venho defendendo há muito tempo), mas também da diretoria. A contratação de Kléber é, entre os grandes negócios realizados na era Perrella, o maior de todos, considerando que ainda recebeu um "troco" de 5 milhões de Euros. Fico me perguntando onde Luxemburgo e o Palmeiras estavam com a cabeça quando liberaram o jogador. Imaginem uma dupla de ataque KK (Kléber e Keirrison)?
Renato, lembra-se de quantas vezes, e há quanto tempo, reclamamos das repetidas promessas por um grande atacante? Kléber é o cara.
E acho que é assim mesmo que tem que ser. Nem sempre vence o melhor, mas a preparação, o trabalho têm que ser o melhor possível.
Por fim, comemoro. Não é todo dia que se vê jogos decisivos de Libertadores, tendo o seu time como protagonista. Pelo contrário, é evento raro. Raríssimo. E por isso mesmo tão especial.
Billy
Vejam vocês o que é o futebol.
O "mestre" Paulo Autuori, sempre lembrado como um bom treinador (o que questiono veementemente), se despediu da Libertadores sem uma vitória sequer. E mesmo assim vai manter a pose canastrona e a boa conta com a mídia. Presumo.
Enquanto isso, nosso comandante, Adilson Batista luta para ser respeitado pela própria torcida e é objeto de desconfiança a cada substituição (vencendo ou não o jogo), a despeito das boas campanhas que o Cruzeiro vem fazendo ao longo dos quase dois anos em que está na Toca. Foi por causa de uma dessas boas campanhas, a do Brasileiro de 2008, que hoje o Cruzeiro está qualificado para decidir o título continental.
Dou a cara a tapa se alguém não questionou a escalação do Wellington Paulista, invocando o bordão burro burro. E o sujeito mete logo dois gols no primeiro tempo. A calhar, lembro que Tiago Ribeiro marcou apenas um solitário gol, desde que chegou ao clube, salvo melhor juízo.
Burrice, genialidade, sorte?
Ainda no ritmo do "vejam vocês o que é o futebol". Uma comparação entre os times do Cruzeiro de 1997 e de 2009, e também da campanha até a final nas duas edições é covardia. Não há outra palavra. E pode ser que o time de 2009 não seja campeão.
Imagino que vão dizer que o Grêmio foi "operado" por causa de um penalti não marcado no primeiro tempo. Ou que poderia ter matado o jogo no Mineirão se os "craques" Alex Mineiro e Maxi Lopez marcassem os gols feitos que perderam. O mesmo foi dito em relação ao São Paulo, que foi roubado em pleno Morumbi.
Só lamento. Lamento não. Só dou risada.
Ganhar o título ou não é um outro problema, a mim parece que o trabalho já se mostra muito bem feito e digno de ser elogiado. Não só do treinador (que venho defendendo há muito tempo), mas também da diretoria. A contratação de Kléber é, entre os grandes negócios realizados na era Perrella, o maior de todos, considerando que ainda recebeu um "troco" de 5 milhões de Euros. Fico me perguntando onde Luxemburgo e o Palmeiras estavam com a cabeça quando liberaram o jogador. Imaginem uma dupla de ataque KK (Kléber e Keirrison)?
Renato, lembra-se de quantas vezes, e há quanto tempo, reclamamos das repetidas promessas por um grande atacante? Kléber é o cara.
E acho que é assim mesmo que tem que ser. Nem sempre vence o melhor, mas a preparação, o trabalho têm que ser o melhor possível.
Por fim, comemoro. Não é todo dia que se vê jogos decisivos de Libertadores, tendo o seu time como protagonista. Pelo contrário, é evento raro. Raríssimo. E por isso mesmo tão especial.