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Friday, March 20, 2009

AMÉRICA E ÁGUIA DE MARABÁ NA COPA DO BRASIL
Lessa

América e Águia fizeram ontem o jogo de volta da primeira fase da Copa do Brasil. Na primeira partida, 2 a 1 para a equipe de Marabá que, como era de se esperar, jogou fechadinha, saindo ocasionalmente para o contra-ataque. O América tentou pressionar durante o primeiro tempo, mas desperdiçou uma meia dúzia de oportunidades para abrir o placar. No segundo tempo, tudo continuou como estava: a torcida cada vez mais ansiosa e o time se lançando mais e mais ao ataque.

Estávamos em um grupo de três diletantes, a tomar Líber e comer torresmo. Chegamos a procurar pelo ilustre cronista Paulo Torres nas arquibancadas, porém sem sucesso. O Mineirão era grande demais para os cerca de dois mil presentes. Talvez por isso tenham decidido fechar dois terços do estádio, que ficaram completamente às moscas. Foi também a primeira vez que vi os imponentes telões de LED, dois monstros coloridos e luminosos que ofuscam totalmente a visão do torcedor. Eis meu primeiro protesto: ou desligam aquela merda ou, no mínimo, proíbem os anúncios com muito branco. Do contrário, passarei a ir ao campo de óculos escuros.

Faz muito tempo que foi proibida a venda de cerveja nos jogos do América. Desde então, acompanhar o time tem sido um martírio. Em toda a minha história de fanatismo e devoção ao glorioso Coelho, jamais vi uma briga feia entre americanos dentro do estádio. Como sempre houve um contingente considerável de gatinhas nas arquibancadas, a única coisa inexoravelmente horrorosa que testemunhei nestes anos de sofrimento foi mesmo a qualidade do futebol praticado pelo América. Deixo aqui, portanto, um segundo protesto: se não há feiura que resista ao álcool, nada mais justo do que liberá-lo para a minguada e pacífica torcida americana. Do contrário, trata-se de tortura, pura e simples.

Para resumir a história, o jogo terminou 1 a 0 para o Águia, com gol de contra-ataque. Isso quer dizer que a mirabolante estratégia da diretoria do América para intimidar o adversário jogando no Mineirão saiu pela culatra. Alguém precisa informar aos senhores (todavia altruístas) que decidem pelo time, que um estádio é um objeto inanimado, portanto incapaz de exercer pressão. Na minha opinião, a escolha pelo Mineirão tinha ainda um agravante: a maioria esmagadora dos jogadores do Águia de Marabá jamais havia jogado no gigante da Pampulha, palco dos últimos Brasil e Argentina. Era, para eles, a grande oportunidade de pisar num relvado digno de Riquelme, Ronaldo, Kaká ou Messi.

Depois de 90 minutos de cerveja sem álcool, confesso que fiquei emocionado ao ver os jogadores paraenses irem às lágrimas, levantando os braços para o céu, beijando alianças e revelando camisetas com mensagens religiosas de superação. Foi realmente tocante. O Águia agora pega o Fluminense de Parreira, Tiago Neves e Conca. Com sorte, jogará no Maracanã.

De minha parte, espero que tenhamos aprendido a lição. A Série C se aproxima e o grupo do América já está definido com Gama, Mixto (MT), Guaratinguetá e Ituiutaba. Tomara que não tentemos intimidar nossos adversários. Definitivamente, isso não combina conosco.

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